A importância da vacina de HPV para homens: estudo mostra queda nos casos de câncer

29/05/2024 Notícias | Saúde | Vacinas Saúde Livre Vacinas
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Enquanto a literatura médica tem documentado a redução significativa nos casos de câncer em mulheres imunizadas contra o papilomavirus humano, as pesquisas sobre os efeitos da vacina de HPV para homens têm começado a ganhar tração.

Um estudo sobre o tema, da Thomas Jefferson University (EUA), foi divulgado pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica para ser um dos pontos centrais do congresso anual da entidade em 2024.

A pesquisa analisou os dados de mais de 3,4 milhões de pessoas na mesma faixa etária, entre vacinados e não vacinados. Os dados confirmaram os benefícios do imunizante às mulheres, com diminuição no risco de desenvolver câncer do colo do útero pelo menos cinco anos após a imunização.

Além disso, foi reiterada a eficácia da vacina da HPV para homens na prevenção de cânceres, em especial aqueles que acometem boca e garganta.

Vacina de HPV para homens

Entre os homens vacinados, a incidência de câncer caiu mais da metade – em pouco tempo, a imunização diminuiu em 54% o surgimento da doença. Na população masculina, o HPV está relacionado a cânceres na região da cabeça, pescoço e genitais.

Estima-se que o vírus seja a causa de até 70% dos casos de câncer de orofaringe, que tem incidência duas vezes maior entre homens. Segundo a presidente da sociedade, Dr. Lynn Schuchter, atualmente o HPV é um fator de risco maior do que o cigarro para esses tumores.

Os pesquisadores salientaram que esses resultados são preliminares, mas promissores. Como as doenças resultantes do vírus podem levar anos para se desenvolver, os números finais devem ser ainda mais significativos no futuro. Ou seja: os efeitos reais da vacina são possivelmente melhores, e os participantes do estudo serão acompanhados para a atualização.

“Acreditamos que o benefício máximo da vacina ocorrerá de fato nas próximas duas ou três décadas”, disse o co-autor do estudo, o cirurgião Dr. Joseph Curry. “O que estamos mostrando aqui é uma onda inicial de efeitos.”

O motivo dos estudos envolvendo homens serem mais escassos engloba três fatores: em primeiro lugar, a vacina é relativamente recente; segundo, cânceres causados pelo HPV podem levar anos para surgir; e terceiro, a vacinação contra o vírus ainda é muito baixa entre a população masculina. Apesar disso, todos apontam para a efetividade da aplicação, ressaltando a necessidade de expandir a cobertura vacinal.

HPV no Brasil

No Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas estão infectadas pelo papilomavírus humano, conhecido como HPV. Calcula-se que a cada ano no país surjam 700 mil casos novos dessa infecção, cuja principal via de transmissão é sexual.

Em 2022, entre as meninas, a primeira e a segunda dose tiveram, respectivamente, 75,91% e 57,44% de adesão. Entre os meninos, porém, os valores são ainda menores: 52,26% na primeira aplicação e 36,59% na segunda.

Na rede pública, a vacina disponibilizada é a quadrivalente, que protege contra quatro tipos de HPV, em dose única. Já nas clínicas particulares, é possível encontrar a nonavalente, protegendo contra nove tipos do vírus, em esquema completo.

Todas as pessoas entre 9 e 45 anos podem tomar a vacina de HPV – após essa idade, ainda é possível com recomendação médica. Para meninas e meninos de 9 a 14 anos, 11 meses e 29 dias indica-se duas doses, com intervalo de seis meses entre elas. A partir dos 15 anos, são três doses: a segunda, um a dois meses após a primeira, e a terceira, seis meses após a primeira dose.

Atualize o seu cartão de vacinação e o da sua família para garantir a proteção.

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